Paraíba

Vale dos Dinossauros será revitalizado

O turismo rural do Alto Sertão da Paraíba a partir de 2010 vai atrair mais de quatro mil visitantes por mês, somente para o Vale dos Dinossauros, em Sousa. O monumento natural inaugurado pelo governador José Maranhão em 1999, ficou sem manutenção até hoje, mas este ano receberá R$ 11 milhões para reconfiguração do ambiente e completa urbanização. Mesmo sem condições adequadas para receber turistas, o Vale dos Dinossauros chega a registrar 1,5 mil visitas mensais e a expectativa é que esse número triplique após a concretização do projeto que está sendo elaborado pela arquiteta Sandra Moura.


A verba para a revitalização da parte física do monumento, R$ 10 milhões, foi conquistada a partir de uma parceria entre o Governo do Estado da Paraíba e o Governo Federal. A Petrobrás também aprovou um projeto orçado em R$ 1 milhão, proposto pela Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico (Setde), que vai incentivar a geração de renda e as pesquisas científicas no local. O vice-governador Luciano Cartaxo auxiliou todo o processo de negociações para aprovação da verba destinada ao monumento.


De acordo com o secretário executivo de Turismo e que responde interinamente pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), Eloízio Henrique Dantas, as melhorias no Vale dos Dinossauros vão gerar mais de 500 empregos indiretos na região. “São dois projetos que se complementam. Um terá investimentos da Petrobrás e da Sudema, ao todo R$ 1 milhão, para a capacitação de mais de 100 artesãos e construção de um alojamento para cientistas. O outro, orçado em R$ 10 milhões, uma iniciativa do deputado federal Marcondes Gadelha (PSC), vai proporcionar uma reestruturação na parte física. Este último terá a assinatura da arquiteta Sandra Moura”, comentou.

Ambiente será preservado
Sandra Moura disse que está preparando o projeto que vai preservar a característica do ambiente. “Visitei o local recentemente, mas não posso adiantar detalhes das mudanças que pretendemos empregar. Um dos fatores relevantes é valorizar o espaço de acordo com o clima, a vegetação, a cultura da região”, argumentou a arquiteta. Ela ainda aguarda dados técnicos que estão sendo levantados pela Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento da Paraíba (Suplan) e Sudema.


A reestruturação física do Vale inclui a recuperação da infraestrutura, do centro de visitação, das réplicas dos dinossauros, das passarelas, confecção de material educativo e sinalização dos espaços. O início das obras está previsto para o primeiro semestre deste ano, já que Setde já dispõe de R$ 1,5 milhão do montante. A primeira parcela da verba que será enviada pela Petrobrás chega até o final deste mês.


O município de Sousa, distante 427 quilômetros da capital, está em pleno desenvolvimento econômico e turístico. A região está vivendo um boom econômico com a possibilidade da exploração do petróleo na Bacia do Rio do Peixe e a revitalização do Vale dos Dinossauros será mais uma possibilidade de crescimento.

Monumento precisa de manutenção
O reconhecimento internacional da importância do Vale dos Dinossauros para os estudos paleontológicos faz com que muitas pessoas visitem a cidade de Sousa para ver de perto as pegadas dos animais pré-históricos, mas quem chega lá reclama das condições físicas do espaço. O apoio ao turista é feito de forma improvisada. As passarelas para visitação são remendadas com pedaços de madeira em alguns pontos, fazendo com que os visitantes tenham cuidado redobrado ao circular pelo local.


Na sala principal do museu que guarda objetos e quadros que contam a história do Vale dos Dinossauros, falta iluminação adequada e alguns pontos de luz ameaçam desabar a qualquer momento. As paredes estão sujas, o teto forrado por uma estrutura de PVC está quebrado e a cena de descaso incomoda os visitantes.


Não há um local reservado para mesas e cadeiras onde as pessoas possam consumir alimentos. Existe apenas uma pequena estrutura que comercializa água e alguns salgados industrializados. Os banheiros precisam de manutenção urgente. Falta também um espaço reservado para receber cientistas interessados em pesquisar os registros históricos. Uma sala atrás do museu guarda entulhos e também algumas pedras e artefatos valiosos para os estudos. Próximo ao local, uma gambiarra de energia demonstra que desde que foi inaugurado, o monumento não passa por manutenção.


Uma família que veio de Rondônia para visitar amigos e familiares na cidade vizinha de Cajazeiras fez questão de viajar até Sousa para conhecer o Vale. O funcionário público Antônio Nirvando Maciel Rocha, 51, é filho de uma paraibana e não conhecia o Vale. Ele estava acompanhado da filha, a estudante de Fisioterapia Isa Gômez Rocha, 22, da sobrinha, Claudiane Maciel de Arruda, 13 e da mulher, a boliviana Rosmary Medina Gômez Rocha, 45. A família aprovou a visita pelo valor histórico que ela agrega, mas todos reclamaram da falta de estrutura para o turista.


“A gente espera sentar um pouco, comer alguma comida típica, tomar um refrigerante, enfim, além de visitar as pegadas dos dinossauros, ter opção de entretenimento. É importante preservar esse espaço não somente para trazer turistas, mas principalmente pelo valor histórico que possui”, argumentou Antônio Nirvando.

Muro protege pegadas
A reforma no Vale dos Dinossauros não seria possível se o Governo do Estado da Paraíba, através da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) e Ministério da Justiça, não tivessem viabilizado a verba para a recuperação da barragem e construção do muro greager para proteger as pegadas dos dinossauros das cheias do Rio do Peixe.


A obra, que foi concluída no final do ano passado, custou R$ 224.742,90 e o canal será responsável por proteger o Sítio Paleontológico. Em 2001, a barragem de nível sofreu rachaduras e a ação da chuva por pouco não destruiu o patrimônio.

Agricultor fez a descoberta
Dá para imaginar o susto que o agricultor Anísio Fausto da Silva teve quando viu pela primeira vez as pegadas dos dinossauros nas proximidades da Fazenda Ilha Jangada, em 1897, hoje Sítio Passagem das Pedras. Anísio estava a procura de um boi que fugiu do roçado e ao chegar em casa contando que encontrou “o rastro do boi da ema”, a família achou que ele tinha enlouquecido. O local foi considerado mal assombrado durante vários anos.


Somente em 1924, o paleontólogo inglês Fredrick Von Ruene realizou estudos científicos no material coletado no Sertão da Paraíba e constatou que o que Anísio chamou de “o rastro do boi da ema” era um dos mais fortes indícios da passagem dos animais pré-históricos pela região. Um dos responsáveis pela preservação das pegadas em Sousa foi o paleontólogo Giuseppe Leonardi, que aliado ao “guardião do Vale dos Dinossauros”, Robson Marques Araújo, conseguiu o reconhecimento do Estado para a construção do monumento.


O Vale dos Dinossauros está inserido no bioma da Caatinga. De acordo com Robson, o mais experiente guia do local, a Bacia do Rio do Peixe possui um dos mais expressivos ecossistemas e sítios paleontológicos do mundo, com pegadas de dinossauros fossilizadas de arenito e lama petrificada.

 

Katiúscia Formiga

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